Cineclássicos | Anatomy of a murder (1959)

Para o cineclássico de Novembro, resolvi trazer-vos a opinião de um filme que vi para o projecto conjunto que tenho com a Chris - Pipocas | Óscares | Acção. Anatomia de um crime foi nomeado para Óscar de Melhor filme de 1960 e perdeu para o fantástico Ben-Hur. Foi nomeado para mais 6 Óscares, incluindo Melhor Actor principal e secundário e Cinematografia.
No Michigan, Paul Biegler (James Stewart) é um advogado que é auxiliado por um alcoólico, Parnell McCarthy (Arthur O'Connell). Após inicialmente ter recusado, ele decide aceitar a defesa de Frederick Manion (Ben Gazzara), um tenente do exército acusado de assassinato, que alega que a vítima violou a sua mulher, Laura Manion (Lee Remick). Contudo, o oponente de Biegler no caso é Claude Dancer (George C. Scott), um conceituado promotor, que afirma que a alegação do réu é falsa e que Laura, que tem uma reputação de promíscua, estava realmente tendo um caso com o bartender assassinado, sendo que durante um acesso de cíúme Frederick teria intencionalmente cometido o crime.
Eu parti para este filme com altas expectativas pois adoro courtroom dramas e este é considerado um dos melhores. Apesar de não ter adorado tanto como esperava, é um óptimo filme e um dos melhores clássicos do género.



Um dos pontos fortes deste filme é o seu cast pois, de uma forma geral, as interpretações são bastante boas. James Stewart é óptimo como sempre, Ben Gazzara é super carismático e charmoso e Lee Remick soou-me bastante natural e encantadora. Além das interpretações serem boas, as personagens em si são interessantes porque são moralmente dúbias e, como tal, soam bastante reais.

Apesar de este filme ser um clássico, aborda temas que continuam a ser controversos e importantes na actualidade. Existe uma conversa aberta sobre violação e sexo e levanta várias questões pertinentes que, à primeira vista parecem antiquadas, mas que na minha opinião ainda estão enraizadas na mentalidade de algumas pessoas na sociedade actual.


Gostei bastante da ambiguidade presente no filme. Em nenhum momento, são mostradas cenas do que realmente aconteceu e, no fundo, o objectivo do filme não é mostrar-nos se o Frederick é inocente ou não mas sim como Biegler vai usar as falhas do sistema judicial para o tentar libertar. É um drama de tribunal que se foca bastante nas maquinações dos advogados e no funcionamento do sistema de justiça americano. O final é inesperado e acho que acaba por ser uma boa conclusão para o filme.
Contudo, apesar de ter gostado de ver os procedimentos judiciais, senti que faltou alguma tensão no filme e, em certos momentos, não me embrenhei tanto na história como esperava. Não sei se não estará ligado à longa duração do filme (quase 3 horas!) ou ao facto de ver tantos courtroom dramas.


De destacar também a fantástica cinematografia a preto e branco, a banda sonora de jazz composta por Duke Ellington (que aparece brevemente no filme) e os icónicos créditos iniciais criados por Saul Bass.

Por fim, algo que também é importante mencionar que este filme foi bastante revolucionário e polémico na altura que foi lançado devido à forma aberta como abordou e retratou temas sexuais e ambiguidade moral. Foi banido em Chicago devido à linguagem explícita, que hoje em dia é bastante banal :)


Concluindo, este é um clássico que recomendo, especialmente para os fãs de dramas de tribunais.

Podem ver a opinião da Chris aqui!


FICHA TÉCNICA:
🎥 Realizador: Otto Preminger
🎬 James StewartLee RemickBen Gazzara, George C. Scott 
📼 2h40m; Crime/Drama/Mistério
♥ 7,5/10



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2 comentários

  1. Gostei muito do filme, mais do que estava à espera.. :D

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    1. Também gostei mas ia com expectativas elevadas :)

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