Quintas Indie | Captain Fantastic (2016)

11.10.2016

Desde que a Catarina aqui do blog me falou deste filme que eu fiquei com a pulga atrás da orelha. Primeiro porque ela disse-me que era o meu tipo de filme e depois porque ela quando o viu gostou muito. E foi só isto que ela me disse, mas o suficiente para me deixar curiosa. E digo-vos, mergulhar neste filme sem saber quase nada sobre ele foi simplesmente o melhor que fiz. Consegui assim desfrutar ao máximo deste maravilhoso filme que teve entrada directa no meu top de filmes do ano.
Na floresta do Nordeste do pacífico, um pai idealista e dedicado, sente-se feliz por criar os seus seis filhos menores fora da civilização moderna e mais próximos do que a natureza tem para oferecer, seguindo uma educação rigorosa, quer a nível físico como intelectual. Quando a matracaria da família morre, eles vêem-se obrigados a abandonar o seu paraíso e a regressar à civilização, tendo por isso de enfrentar todos os problemas e dificuldades que tal mudança irá provocar .

Definitivamente este é um filme para chocar mentalidades e abanar estereótipos. Sim, porque nós só agimos como agimos todos os dias porque a sociedade assim o impôs. E este filme mostra-nos precisamente o oposto. Ben e a sua mulher têm uma visão idealista do mundo e de como eles querem viver e educar os seus filhos. Para isso mudam-se para o meio de uma floresta e é aí que constituem família. Para eles não existem modernidades, novas tecnologias, nem facilitismo na hora de conseguir as coisas. O exercício e a meditação são hábitos diários, tal como a caça, a pesca e a agricultura lhes mostra de onde vêm os alimentos. A educação é dada através da literatura e da sua interpretação. Para ele é necessário que os seus filhos aprendam, mas também que desenvolvam um espírito crítico muito bom. Para além de tudo isto, este casal tenta passar aos seus filhos que estes e outros valores é que são os certos para eles. Eles, os filhos, apenas conhecem aquela realidade e aos poucos, alguns deles começam a questionar se aquela tem necessariamente de ser a vida deles. A questão principal do filme começa a desenvolver-se quando a matriarca se ausenta da família para ser internada num hospital e acaba por morrer. É aí que eles decidem ir ao seu funeral e enfrentar o mundo fora da sua bolha.

O choque de perspectivas é tão grande que nós espectadores começamos a questionar o que realmente está mal nisto tudo. Por um lado temos a sociedade consumista, agarrada a tecnologias que fazem tudo por nós, que mal pensamos. E por outro estão eles que sabem muito através dos livros, que se sabem desenrascar em qualquer situação, directos em qualquer assunto e acima de tudo com uma relação de amor entre eles, mas que acabam por estar limitados àquele ciclo de vida.

Eu adorei o filme. Conta uma história muito delicada, mas também bastante realística e verdadeira, que nos ensina que nem sempre aquilo que cremos como verdade absoluta o é. É um filme por isso com um roteiro muito rico, que nos transmite tanto, que nos coloca a pensar, e acima de tudo a perspectivar a nossa vida também. É um filme que conta com interpretações fantásticas, não só no elenco mais velho com Viggo Mortensen a interpretar o pai da família, como também o elenco infantil, que esteve bem à altura do desafio destas personagens tão intensas. Destaque ainda neste filme para a banda sonora, a fotografia maravilhosa e a riqueza do guarda-roupa


Este é essencialmente um filme que nos ensina muito, não só sobre aquilo que ele nos transmite, mas também sobre aquilo que nós queremos que seja o nosso amanhã. Um filme que recomendo muito,


FICHA TÉCNICA:
🎥 Realizador: Matt Ross 
🎬 Viggo Mortensen, George MacKay, Steve Zahn, etc
📼 1h90m; Drama, Comédia 
♥ 5/5


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