Quintas Indie | Indignation & Another year

3.16.2017

Há já algum tempo que não escrevia nada para esta rubrica e, por isso, decidi regressar com a opinião de 2 filmes indie que vi neste mês de Março. Um deles é o filme Indignation, um filme que estreou o ano passado nos USA mas que não chegou às salas de cinema portuguesas. O outro é Another year, um filme britânico de 2010 que eu já queria ver há algum tempo.


Indignation é um filme baseado no livro com o mesmo nome do escritor Philip Roth que nos conta a história de Marcus (Logan Lerman), um estudioso judeu ateu, que ingressa na faculdade onde acaba por conhecer a linda mas problemática Olivia (Sarah Gadon). À partida, e tendo por base esta premissa, podem pensar que este é apenas um filme romântico mas não é esse o caso.
De certo modo, este é um drama ambicioso que procura abordar diversas temáticas, tais como, religião, ansiedades morais, alienação social, medo da morte (filme decorre durante a Guerra da Coreia) e liberdade individual. A repressão sexual da época é também uma ideia bastante explorada no filme uma vez que o Marcus tem muita dificuldade em lidar com a atitude directa e aberta da Olivia em relação às questões sexuais e isso tem um impacto grande na sua relação.
Apesar do filme abordar várias temáticas e apresentar diálogos com muita qualidade, senti que os problemas levantados acabaram por nunca ser muito explorados na prática e que isso prejudica o filme. Acabei por me sentir um pouco desconectada e frustrada em certos momentos.


As interpretações da maioria do elenco são boas, especialmente a do reitor (Tracy Letts) com o qual Marcus tem uma relação conflituosa. Existe uma cena de confrontação verbal entre os dois que dura quase 15 minutos e que é fantástica e, só por ela, sinto-me feliz por ter dado uma oportunidade ao filme. Confesso, no entanto, que não gostei muito da interpretação da Sarah Gadon apesar da instabilidade emocional da personagem Olivia ser extremamente interessante.
É o primeiro filme realizado por James Schamus, que era, até agora, principalmente conhecido por co-escrever alguns dos filmes de Ang Lee, e esta é, na minha opinião, uma boa estreia. A cinematografia e guarda-roupa são também uma mais valia do filme.
Concluindo, acho que este é um filme bastante sólido mas não totalmente inovador. De qualquer modo, é um filme que recomendo. ★★★☆☆





Another year é um filme tragicómico que decorre durante um ano. Basicamente, acompanhamos a vida de um casal de meia idade, feliz tanto a nível pessoal como profissional, e vemos a sua interacção com alguns dos seus amigos e familiares, todos eles pessoas bem menos felizes. O filme tem um formato quase episódico, uma vez que está dividido em 4 partes, de acordo com as 4 estações do ano.
Isolamento, solidão, envelhecimento e o sentimento de uma vida não preenchida são emoções que marcam muito este filme. Este é, acima de tudo, um filme sobre pessoas e o passar dos anos, um retrato bastante honesto do dia-a-dia de pessoas comuns. O enredo acaba por ser bastante simples, nunca acontece nada de muito especial, mas é inevitável não te sentires imerso na vida destas personagens. Contudo, confesso que existiram algumas passagens um pouco mais monótonas e achei que a estrutura nem sempre funcionou pois retirou alguma fluidez ao filme.


Claro que um filme deste tipo só funciona quando se tem bons actores e este está repleto deles. Jim Broadbent e Ruth Sheen são extremamente convincentes enquanto Tom e Gerri, o casal afectuoso que recebe toda a gente de braços abertos e um sorriso nos lábios. Já Leslie Manville, que estou habituada a ver interpretar personagens mais fortes, está fantástica como a colega de trabalho de Gerri, uma pessoa muito triste, vulnerável e, ao mesmo tempo, irritantemente enérgica.
Apesar de existerem alguns momentos mais leves e divertidos, este é essencialmente um filme triste e e um drama humano. Este foi o primeiro filme que vi do realizador Mike Leigh e não será, com certeza, o último.
Concluindo, este é um filme com pouco diálogo e acção e, como tal, poderá não ser do agrado de todos. No entanto, se gostam de filmes que capturam vividamente a condição humana no quotidiano das personagens, então vale a pena apostarem neste. ★★★☆☆½



Já viram algum destes filmes? 
Qual aquele que vos desperta mais o interesse?











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