Itália | Mia Madre (2015)


Na categoria de filmes estrangeiros ainda sou um pouco novata. Costumo ir vendo alguma coisa, mas não vejo tanto como gostaria. E é sem sombra de dúvidas algo que quero mudar. Hoje venho falar-vos de um filme italiano, bastante recente de 2015, que me despertou bastante a atenção pelas suas temáticas.

Margherita é uma realizadora que no meio da realização do seu mais recente filme se vê a braços com uma doença terminal da sua mãe. Se já isso não bastasse ela vê-se também a ter uma crise de meia idade, e vários problemas no seu filme principalmente com a chegada de um actor norte-americano que parece vir sem vontade nenhuma de participar no filme.


Quando vi o trailer deste filme soube logo que o queria ver. Primeiro que tudo pelo filme se centrar na temática da produção de um filme. Raros são os filmes de ficção que abordam este tema e é muito interessante ver na tela como todo esse processo se constrói. Neste filme já vemos o filme em plena produção, percebemos que o mesmo aborda a temática de uma fábrica que acaba de passar para as mãos de um empresário multimilionário e que os trabalhadores não estão contentes com isso. Vemos por isso a hostilidade que existe entre trabalhadores e patrão. Vemos as cenas de greve e manifestações. E é tão interessante perceber como todo o grupo de câmaras se posiciona, como os actores e staff se comportam em grandes cenas de exteriores, como os actores lidam com a parte técnica, principalmente com o realizador. Apesar de ficcionado, é importante também se falar do que acontece por detrás das câmaras. Mas este filme vai além disto ao abordar a forma como a Margherita e o seu irmão lidam com a súbita doença da sua mãe que a obriga a estar internada. Esse lado humano quando um ente querido está para morrer é muitas vezes esquecido e é abordado neste filme de uma forma tocante. Margherita é uma mulher com remorsos da relação que foi tendo com a mãe, talvez de algum distanciamento devido à vida que foi tendo. E mesmo nesta fase das suas vidas ela não sabe bem como lidar com toda esta situação, acabando por se irritar e por sofrer demais. Já o seu irmão acaba por transparecer ser mais forte, ao olhar para a situação com mais calma e clareza quando por dentro também estaria a sofrer muito.


Cuidar de um ente querido quando se tem que continuar a trabalhar, quando se está no meio de uma crise de identidade, quando um relacionamento termina, e quando se tem uma filha adolescente para educar não é fácil. Gerir esta quantidade de sentimentos leva à exaustão, principalmente quando se sente que não se está a dar 100% em tudo. E este filme aborda cada uma destas temáticas de uma forma brilhante. Sentimos em todo o filme as dúvidas e angústias da Margherita. Consegui colocar-me dentro do filme e sentir tudo aquilo que estava a acontecer, e acho que quando isso acontece o filme já ganhou algo. Estar a passar por uma situação parecida talvez ajude a relacionar-me com o filme, mas se a história ou os actores não me conseguissem transmitir os sentimentos eu não me iria relacionar tanto com ele. Gostei da realização do filme, recorrendo a alguns flashbacks para que vamos compreendendo a história, tal como o recurso a sonhos estranhos para nos levar mais dentro de cada uma das personagens. A fotografia e a realização directa aos actores faz com que nos aproximemos deles e sintamos tudo aquilo que estão a sentir, cada olhar, cada choro, cada riso é sentido pelo expectador. É um filme lento, mas que consegue aliar muito bem o drama da família à comédia do trabalho e da participação do actor norte americano. É importante que isso aconteça para balancear aquilo que à partida seria apenas e só um filme triste.   

Gostei muito deste filme e daquilo que acabou por me conseguir transmitir, e é por isso um filme que recomendo.



FICHA TÉCNICA:


🎥 Realizador:  Nanni Moretti


🎬   Margherita Buy, John Turturro, Giulia Lazzarini   

📼 106 min; Drama


♥ 3,5/5

 


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2 comentários

  1. Já tentei ver, mas não avancei e depois esqueci-me dele.

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    1. Eu gostei muito e recomendo. Pode ser que lhe dês uma nova oportunidade.

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