Filmes no Feminino | Grave (2016) #indielisboa2017

6.05.2017


No passado mês de Maio decorreu em Lisboa mais uma edição do IndieLisboa, um festival internacional focado no cinema independente. Este ano, pela primeira vez, consegui ir assistir a um dos filmes em exibição e hoje venho partilhar a minha opinião. O filme que eu vi foi o Grave, mais conhecido pelo nome Raw, um filme francês de drama e horror que tem dado que falar.

Raw é o filme de estreia da realizadora Julia Ducornau e deu logo nas vistas no Festival de Cannes, onde algumas pessoas desmaiaram graças ao seu conteúdo chocante. Confesso que inicialmente olhei para este filme com alguma desconfiança, pois achava que este conteúdo chocante servia apenas o propósito de tornar o filme mais polémico e atrair público. Felizmente, estava enganada e o filme revelou-se uma agradável surpresa.
Na família de Justine todos são veterinários e vegetarianos. Aos 16 anos, a dotada adolescente está pronta para o seu primeiro ano na universidade de veterinária onde a irmão mais velha também estuda. Logo no início, durante um sangrento ritual de iniciação, é obrigada a comer carne crua pela primeira vez na vida. O ato tem consequências inesperadas à medida que Justine desenvolve inesperadas tendências carnívoras...
Em primeiro lugar, não posso classificar este filme como um simples filme de terror pois ele é muito mais do que isso. Essencialmente, este funciona como uma história coming of age com toques mais sangrentos e de terror que acabam por funcionar como metáforas artísticas. A nossa protagonista é vegetariana e acabou de ingressar na universidade, no curso de Medicina Veterinária, onde é sujeita aos vários rituais de praxe e onde inicialmente se sente deslocada. No fundo, vamos ter aqui uma jovem mulher, tímida e reservada, que ao longo do filme vai sentir a pressão do seu ambiente e desenvolver o desejo de se inserir num círculo social. A atracção pela carne da protagonista vai simbolizar também o despertar sexual da rapariga.


Achei o filme bastante inteligente e gostei muito da mistura do humor, drama e terror. E sim, há cenas bastante provocadoras e mais grotescas mas acho que se forem preparados para elas, não se vão sentir muito desconfortáveis. Claro que isso vai variar de pessoa para pessoa... Por fim, quero destacar a fantástica interpretação da actriz principal e a realização excitante de Julia Ducornau. A minha única crítica vai para o fim que achei demasiado apressado, apesar da cena final ser surpreendente.


Concluindo, se não se deixam facilmente chocar com sangue e cenas mais macabras, recomendo que vejam este filme pois é, sem dúvida, bastante original e meio louco. Infelizmente, ainda não tem data de estreia marcada para Portugal. ★★★☆☆½



E vocês? Já viram  ou ouviram falar deste filme?



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