Curtas | El Empleo (2008), La Luna (2011), Zero (2010)

8.05.2017


As curtas são um género que eu não costumo assistir. É suposto serem um filme curto, mas que em poucos minutos nos consiga transmitir toda a sua mensagem. Vai daí este mês decidi aventurar-me e ver três curtas, das quais vos vou falar hoje.
El Empleo

Vencedora de 102 prémios deparei-me com esta curta e só pela sua imagem de apresentação eu já fiquei curiosa. Conta-nos assim a história de um homem desde o momento em que ele acorda até ao momento em que ele vai trabalhar. O diferencial deste mundo é que aqui todas as pessoas têm como trabalho fazer de tudo. Ele tem então alguém que é o seu candeeiro, pessoas que são o seu espelho, a sua mesa, o seu bengaleiro. As pessoas são inclusivamente os táxis ou os semáforos. Isto tudo até vermos qual o trabalho do protagonista. Esta é uma curta que fala sobre aquilo que o trabalho nos influencia enquanto sociedade e aquilo que nós somos dependendo do trabalho que temos. A frustração de trabalhar apenas como um candeeiro é muito entediante e isso é a presença notória ao longo da curta. Esta é também uma ode à forma como cada vez mais encaramos as evoluções tecnológicas e como tentamos enfrentar um futuro cada vez mais incerto, até chegarmos ao ponto de estarmos completamente desapegados do nosso consciente. Uma curta triste e com o objectivo realmente de nos fazer pensar que nos vai tocar e impressionar.


 
La Luna

Esta é uma curta da pixar que nos mostra uma família composta por avó, pai e filho. O filho pequeno parece ter chegado à idade de começar a ajudar o pai e o avó na sua lide. No começo da curta vemos os três num barco que a determinada altura é ancorado. Em alto mar o avó oferece ao neto um chapéu igual ao seu e do seu filho que o faz assim integrar a equipa de trabalho. E o trabalho deles é a coisa mais impressionante. No mundo desta curta a lua para produzir luz tem todas as noites agarrada a ela estrelas cintilantes e o trabalho deles é limpar a lua dessas estrelas. Esta é para além de ser uma curta sobre família e os seus valores é também uma ode à personalidade e ao nosso carácter. O neto vê-se de repente entre pai e avó. Cada um tenta puxar para o seu lado o neto, para que seja parecido a um deles. Começam com a posição do chapéu, e depois para o utensílio a utilizar na limpeza. É quando o neto enfrenta as adversidades e usa a criatividade que vai ensinar uma lição ao seu pai e ao seu avô. Uma curta bonita, cheia de criatividade e imaginação que vai ficar na memória.

 
Zero

Zero é a única curta das três que é narrada e por isso à medida que a vamos vendo já vamos conhecendo melhor a história. Conta-nos então a história de uma sociedade onde somos catalogados como números, sendo que os mais respeitados nasceram com os números maiores e os menos respeitados nasceram com o menor número. Na curta, o nosso protagonista, nasceu como zero e por isso a sua vida à partida não seria nada fácil, não o foi na escola e não o é agora na vida adulta. Tudo melhora um pouco quando ele se apaixona por uma mulher zero e juntos encontram o amor. Só que esta relação é proibida e tudo pode acontecer neste mundo. E esta é realmente uma curta muito parecida à sociedade em que vivemos funcionando como uma grande crítica. É uma curta que recorre a bonecos feitos com fios de lã e por isso ganha muito pela criatividade tanto no enredo como na parte visual. É uma curta que nos vai tocar e acho que só por isso já serve o seu grande propósito que é o de pensarmos na nossa sociedade e naquilo que fazemos com ela e com as pessoas que nela habitam.   


E vocês? Costumam assistir a curtas? Quais nos recomendam?

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