França | La mécanique de l'ombre (2016)

8.09.2017


Cada vez gosto mais das novidades cinematográficas europeias que têm chegado a Portugal. La Mécanique de L’ombre estreou em Julho nas salas de cinema portuguesas e hoje trago-vos a minha opinião dele.
Dois anos depois ter perdido o emprego, Duval continua desesperado por encontrar trabalho. Certo dia, é contactado por um homem misterioso que lhe propõe transcrever gravações de conversas telefónicas. O trabalho é simples, bem pago e Duval sente ter finalmente encontrado um rumo para a sua vida. Porém, com o passar do tempo, percebe que essas chamadas são de teor confidencial. Isso deixa-o inquieto em relação à sua segurança e à legalidade do que está a fazer. Sem saber a verdadeira identidade do seu empregador, vê-se então envolvido numa complexa conspiração política em que terá de aprender a lidar com alguns dos mais poderosos – e perigosos – agentes dos serviços secretos franceses.
Duval é um homem que acaba de perder o seu emprego e se entregar à bebida. Após algum tempo sem trabalho ele acaba por deixar a bebida e começar a endireitar a sua vida. Até ao dia em que é contactado para uma entrevista de emprego um pouco peculiar. Esse trabalho consistia na transcrição de umas cassetes para papel. Só que o que à partida parecia ser um trabalho inofensivo rapidamente passa a ser algo muito estranho, ilegal e acima de tudo perigoso. Confesso que este filme chamou-me logo à atenção pela temática das escutas telefónicas.Não sendo dito directamente ao espectador o acontecimento por detrás das escutas percebemos que se trata da negociação da libertação de uns cidadãos franceses raptados. Este filme quer retratar como valores mais altos se impunham à simples questão da negociação da libertação dos cidadãos franceses. E Duval, de repente, vê-se envolto neste submundo e começa a duvidar da sua decisão de ter aceite este trabalho, principalmente quando ele percebe que a organização para quem ele trabalha é bem mais complicada do que ele imagina.

O filme é bastante calmo e centra-se quase sempre no Duval e na forma como ele encara a vida e as situações que vai enfrentando. Começamos com a situação da perda de trabalho, depois com as reuniões dos alcoólicos anónimos, e por fim com o seu novo emprego e tudo aquilo que ele incluía. E conhecemos assim um homem simples que passa o seu tempo livre a fazer um puzzle, e que de repente se vai ver embrenhado em situações que para ele eram inimagináveis. E apesar de eu ter gostado de ter acompanhado a história do Duval e de como ele foi encarando as situações, como as situações foram mexendo com as suas convicções, confesso que estava à espera de um pouco mais. O filme acaba por não ter muito ritmo, e quando finalmente o têm, no final, acaba por ser rápido demais e resolvido de forma abrupta. Gostava que em certos momentos as dúvidas e os sentimentos contraditórios tivessem sido mais explorados e manipulados e que o protagonista realmente lutasse para que a situação se resolvesse. No final é mais uma questão de medo do que propriamente uma tentativa de mudança.  As interpretações no filme estão muito boas, principalmente a de Duval, acho mesmo que o que acabou por falhar foi mesmo o argumento. A banda sonora é marcante para o estilo de filme, mas nem sempre a melhor de ser ouvida ao ser um pouco irritante por vezes. Mas o que salta à vista no filme é toda a sua paleta de cores bem verdes e acinzentadas, conotando-o com uma aura mais triste e misteriosa, bem como os adereços de cenário como as cassetes de fita que ele ouvia com as escutas e a máquina de escrever antiga, tudo funciona para criar um ambiente bonito para o filme.



É um filme que recomendo para quem gosta do género e para quem quer ver um filme de espionagem com um tema actual, mas no geral o filme acabou por me desiludir um pouco.

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