From up on Poppy Hill (2011) & The wind rises (2013)

8.12.2017


Hoje venho falar-vos dos últimos dois filmes que vi para o projecto #Studio Ghibli: From up on Poppy Hill (2011) e The wind rises (2013). Curiosamente, estes dois filmes fogem um pouco aos típicos do estúdio uma vez que ambos são dramas históricos, com pouca ou nenhuma fantasia. Foi a primeira vez que vi estes filmes e foram uma agradável surpresa.



A Colina das Papoilas é um filme de 2011 que decorre nos anos 60 e nos conta a história de Umi, uma jovem estudante de 16 anos, que frequenta o liceu e tem muitas outras responsabilidades. A sua mãe encontra-se nos EUA por motivos profissionais e o seu pai morreu num navio durante a Guerra da Coreia, o que levou a que ela tenha de gerir a casa, que é também uma pensão, e tomar conta dos irmãos e avó. A sua casa localiza-se numa colina, com vista para o mar, e todas os dias ela ergue duas bandeiras no quintal de casa, como uma mensagem lançada ao horizonte. Este ritual é notado por um seu colega de liceu, Shun, que acaba por escrever um poema sobre ela no jornal da escola, o que leva a que os dois acabem por estabelecer uma relação que vai ser explorada ao longo do filme. Existem mais acontecimentos que são também importantes para o desenrolar da história mas prefiro não aprofundar mais a sinopse.


Este foi o segundo filme realizado por Gorō Miyazaki para o estúdio e gostei muito mais deste do que do primeiro - Tales from Earthsea. Ao contrário do primeiro, este é um filme bastante nostálgico e contemplativo, que destaca muito a cultura japonesa. Foca-se nos pequenos detalhes e trivialidades do nosso quotidiano e apresenta também um bom retrato histórico do Japão dos anos 60. A história decorre no período pós-guerra, um período em que o Japão se encontrava em mudança e num processo de modernização. O filme reflecte então os efeitos desta modernização nas diferentes gerações e procura transmitir que o passado não devia ser demolido para deixar entrar o futuro. É também um filme sobre identidade pessoal e colectiva e apresenta uma visão jovem e idealista que acaba por tornar o filme mais enternecedor. Tem também um toque de melodrama que foi totalmente inesperado e que acabei por apreciar. Mais uma vez, gostei muito da música e animação.
Eu sei que este não é dos filmes mais marcantes e grandiosos do estúdio mas eu gostei muito da sua escala mais pequena e atmosfera nostálgica e optimista. ★★★★☆



As asas do vento foi o último filme do Hayao Miyazaki e é bastante diferente dos seus outros filmes pois é uma história biográfica e não possui elementos fantásticos. Este é um olhar pela vida de Jirō Horikoshi, o engenheiro aeronáutico responsável pelo mais famoso caça japonês da Segunda Guerra Mundial, o Mitsubishi A6M Reisen "Zero".


Para mim, este é, acima de tudo, um filme sobre sonhos...sobre como os sonhos comandam a vida. O nosso protagonista é guiado ao longo de todo o filme pelo seu desejo de criar aviões e ele nunca desiste de perseguir este sonho mesmo após inúmeros fracassos. A história decorre durante a 2ª Guerra Mundial mas o filme não lida muito com as questões políticas. O importante são os aviões e Jiro quase nunca se preocupa com a futura utilização destas máquinas. Será que ele pararia se soubesse o impacto real que aqueles aviões iam ter? Sinceramente, acho que não. Algo que é extremamente interessante é que, apesar deste ser um filme realista, este tem também alguns elementos surreais através da representação visual dos sonhos de Jiro. Nestes, ele interage frequentemente com o seu ídolo, o engenheiro aeronáutico italiano Giovanni Battista Caproni, esclarecendo dúvidas e falando sobre ambição e outros assuntos. Estes segmentos do filme são bastante imaginativos e bonitos visualmente, e reflectem no fundo que o Jiro é acima de tudo um artista.
Este é também um filme romântico. Não quero explorar muito esta vertente do filme porque acho que quanto menos souberem melhor, mas posso dizer que gostei muito deste olhar mais adulto e maduro sobre as relações amorosas. Há esperança, há carinho e também tristeza.
Nota-se que este foi um projecto muito importante para Hayao Miyazaki e que este representa tudo o que ele adora nas histórias e vida: aviação, imaginação e paixão.
Concluindo, este é um filme emotivo e complexo que recomendo. Só não me arrebatou a 100 % porque não compartilho do entusiasmo e amor do realizador por aviões e, como tal, algumas partes foram mais aborrecidas. Como sempre, música e animação estão óptimas. ★★★★☆




E vocês? Já viram algum destes filmes?



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